Nos títulos Pós-Fixados, a rentabilidade da aplicação é composta por uma taxa predefinida no momento da compra do título mais a variação de um indexador, que pode ser a taxa básica de juros, a Selic, ou a inflação, que é medida pelo IPCA.
Títulos Pós-Fixados são um tipo de investimento de renda Fixa cuja rentabilidade final não é totalmente conhecida no momento da aplicação, pois ela está atrelada (indexada) à variação futura de um indicador econômico de referência (o indexador). O investidor sabe qual será a regra de remuneração, mas o valor exato do rendimento só será conhecido ao longo do tempo ou no vencimento, conforme o indexador flutua.
- Estrutura da Rentabilidade:
A rentabilidade de um título pós-fixado pode ser composta de duas formas principais, conforme a definição:
- Indexador Puro: A rentabilidade é diretamente um percentual do indexador.
- Exemplo: Um CDB que paga "100% do CDI". A rentabilidade será exatamente a variação acumulada da Taxa DI (CDI) durante o período da aplicação. Se o CDI subir, o rendimento sobe; se cair, o rendimento cai.
- Exemplo: Tesouro Selic (LFT), que rende a variação da Taxa Selic.
- Indexador + Taxa Prefixada (Títulos Híbridos): A rentabilidade é a soma da variação do indexador mais uma taxa de juros prefixada, definida no momento da compra.
- Exemplo: Tesouro IPCA+ (NTN-B), que paga "IPCA + 6% ao ano". O investidor receberá a variação da inflação (IPCA) no período mais uma taxa real de juros de 6% ao ano.
- Exemplo: Uma debênture que paga "CDI + 2% ao ano".
- Principais Indexadores Utilizados:
- Taxa DI (CDI): Taxa de Depósito Interbancário. É o indexador mais comum para títulos Pós-Fixados privados (CDBs, LCIs, LCAs, debêntures).
- Taxa Selic: Taxa básica de juros da economia brasileira. Principal indexador do Tesouro Selic.
- IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo): Índice oficial de inflação. Usado em títulos que buscam proteger o poder de compra e oferecer um ganho real (Tesouro IPCA+, alguns CRIs/CRAs, debêntures).
- IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado): Outro índice de inflação, menos comum em títulos para pessoa física, mas pode aparecer em alguns CRIs/CRAs ou debêntures.
- TR (Taxa Referencial): Usada principalmente para corrigir a caderneta de poupança e o FGTS (embora a poupança tenha uma regra mais complexa que também envolve a Selic).
- Vantagens dos Títulos Pós-Fixados:
- Proteção contra Incertezas do Indexador:
- Atrelados à Taxa de Juros (CDI/Selic): Acompanham as altas da taxa básica de juros, protegendo o investidor em cenários de aperto monetário. Se os juros sobem, a rentabilidade do título também sobe.
- Atrelados à Inflação (IPCA/IGP-M): Protegem o poder de compra do capital investido contra a desvalorização causada pela inflação, garantindo um retorno real (quando há uma taxa prefixada adicional).
- Menor Risco de Mercado (para os puramente pós-fixados à taxa de juros diária): Títulos como o Tesouro Selic têm baixa volatilidade de preço, pois sua remuneração é ajustada diariamente pela taxa de juros.
- Simplicidade (para alguns): Para quem não quer tentar prever a direção futura dos juros ou da inflação, os pós-fixados oferecem um caminho mais direto.
- Desvantagens:
- Rentabilidade Final Incerta (em termos nominais): Como depende da variação futura do indexador, o valor exato do resgate não é conhecido de antemão (exceto para o componente prefixado nos títulos híbridos).
- Pode Render Menos em Cenários de Queda do Indexador: Se a Selic/CDI cair muito, a rentabilidade dos títulos atrelados a eles também cairá. Se a inflação for muito baixa ou negativa, o componente de correção pela inflação também será baixo ou negativo (embora a parte prefixada dos títulos IPCA+ ainda seja paga).
- Marcação a Mercado em Títulos Híbridos:
Títulos Pós-Fixados que têm um componente prefixado (como o Tesouro IPCA+) estão sujeitos à marcação a mercado. Se as expectativas para a taxa de juros real (a parte prefixada) mudarem no mercado, o preço desses títulos pode variar antes do vencimento. Títulos puramente pós-fixados à taxa de juros diária (como o Tesouro Selic) têm esse efeito minimizado.
A escolha por títulos Pós-Fixados depende do cenário econômico esperado pelo investidor e de seus objetivos (proteção contra inflação, acompanhamento da taxa de juros, etc.). São uma parte importante de uma carteira de renda Fixa diversificada.
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