Na marcação a mercado, a taxa utilizada para atualização do título é a que estiver sendo negociada no mercado, que costuma se alterar diariamente.
Marcação a Mercado (MaM) é o processo de registrar o valor de um ativo financeiro (como um título de renda fixa, uma cota de fundo de Investimento ou uma ação) pelo seu preço de mercado atual, ou seja, pelo preço pelo qual ele poderia ser negociado (comprado ou vendido) naquele exato momento, e não pelo seu preço de aquisição ou valor de face. Essa atualização de valor é feita periodicamente (geralmente diariamente para fundos e títulos com liquidez).
- Objetivo Principal:
- Transparência: Refletir de forma mais precisa e transparente o valor real e atual do patrimônio de um investidor ou de um fundo de Investimento.
- Justiça na Precificação de Cotas (para fundos): Garantir que os cotistas que entram ou saem de um fundo de Investimento o façam por um preço justo, que reflita o valor de mercado dos ativos da carteira do fundo naquele momento. Isso evita que cotistas antigos sejam prejudicados por novos entrantes (ou vice-versa) se os ativos fossem marcados por um valor defasado.
- Como Funciona (Especialmente para Renda Fixa):
Para títulos de renda fixa (como títulos públicos, debêntures, CDBs), a marcação a mercado significa que o preço do título é ajustado diariamente com base nas expectativas do mercado para as taxas de juros futuras.
- Títulos Prefixados e Atrelados à Inflação (com componente prefixado):
- Se as taxas de juros de mercado sobem: Títulos emitidos anteriormente com taxas menores se tornam menos atraentes. Para que um novo investidor compre esse título, ele exigirá um desconto no preço (deságio). Portanto, o valor de mercado do título cai.
- Se as taxas de juros de mercado caem: Títulos emitidos anteriormente com taxas maiores se tornam mais atraentes. Seu valor de mercado sobe (ágio).
- Títulos Pós-fixados (como Tesouro Selic - LFT): Sofrem menos impacto da marcação a mercado, pois sua rentabilidade já acompanha a taxa de juros diária do mercado (Selic). Seu valor tende a ter uma trajetória mais linear e estável.
- Impacto para o Investidor:
- Visualização da Volatilidade: O investidor vê o valor de seus investimentos flutuar diariamente, mesmo em renda fixa (exceto em pós-fixados puros como o Tesouro Selic). Isso pode causar estranheza para quem espera que a renda fixa só "suba".
- Rentabilidade na Venda Antecipada:
- Se o investidor mantiver um título prefixado ou atrelado à inflação até o vencimento, ele receberá exatamente a rentabilidade acordada no momento da compra (descontando impostos). A marcação a mercado não afeta a rentabilidade final no vencimento.
- No entanto, se o investidor vender o título antes do vencimento, ele o fará pelo preço de mercado do dia, que foi afetado pela marcação a mercado. Nesse caso, sua rentabilidade pode ser maior ou menor do que a taxa contratada, podendo inclusive haver prejuízo.
- Obrigatoriedade:
A marcação a mercado é obrigatória para a maioria dos fundos de investimento no Brasil e para os títulos públicos negociados no Tesouro Direto, conforme regulamentação da CVM e do Banco Central.
- Exceções (Marcação na Curva):
Em algumas situações específicas e para certos tipos de carteiras (como carteiras de bancos mantidas até o vencimento - "held to maturity"), pode ser permitida a "marcação na curva de juros do papel", onde o título é valorizado pela sua taxa de aquisição, sem refletir as flutuações diárias do mercado. No entanto, para a maioria dos investidores de varejo e fundos, a marcação a mercado é a regra.
A marcação a mercado é um conceito fundamental para entender a dinâmica de preços dos investimentos, especialmente em renda fixa, e para tomar decisões conscientes sobre a compra, venda ou manutenção de ativos.
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